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A vida é terapêutica!

  • Foto do escritor: Um universitário de Letras
    Um universitário de Letras
  • 8 de jun. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 8 de jun. de 2020

"[...] Mas e quanto aquelas pessoas que se negam a fazer terapia? Como elas compreendem essas questões sem a ajuda do profissional que estudou e entende das teorias que marca o comportamento humano...?"


"A vida também é terapeuta"


Primeiro, não quero que pense que terapia é algo desnecessário. Hoje, tão frequentemente tem-se preciso cada vez mais da ajuda profissional de um psicólogo em nossas vidas. Mas durante uma indagação pessoal, olhando para meu processo com a terapia e me perguntando como iria lidar com isso se me negasse a fazer terapia, ou ainda, como as demais pessoas (con)vivem sem o auxílio profissional, fui surpreendido com essa resposta da minha psicóloga: A vida é terapêutica.

Sabe quando diante de algo que as vezes nem nos damos conta, que fazemos inconscientemente, mas que um amigo, um familiar, alguém qualquer, nos diz algo e aí ficamos: "OPA!" "Eita!""Mas peraí..."

Bem, a vida é uma terapeuta. Às vezes as palavras duras que ouvimos, geralmente do gênero: "Amiga, acorda! Ele está usando você!!" ou "Para com isso, pense! Raciocine, é assim mesmo que vai ser?!" "É desse jeito que você vai agir sempre que coisa X acontecer?" [...] Essas frases, muito frequentemente alerta o nosso hipocampo todo o nosso processo cerebral de armazenamento, onde foram criados esquemas, onde há memórias guardadas e que ficam inconscientes até que uma nova situação traga essa lembrança, gerando em nós três variáveis comportamentos de reação: (hiper)compensar, evitar ou conformar (resignado). Quando vemos algo pela primeira vez é criado um esquema, o período pré-operacional é rodeado de criação e modificação de esquemas¹, onde ainda crianças, somos submetidos à diversas coisas novas (e até hoje é assim, não sabemos tudo!). Alguns esquemas são mal adaptativos, ou seja, geram um comportamento desfuncional no indivíduo.

Geralmente, esse comportamento disfuncional desencadeia uma série de situações de traumas e estresses. Idealmente, o tratamento seria aconselhado com um terapeuta cognitivo comportamental, mas muitas pessoas nem se quer sabem da existência dessa teoria de esquemas ou procura um terapeuta. Portanto, a forma como todos nós lidamos (inclusive aqueles que já fazem tratamento) com esses comportamentos disfuncionais, é, senão, pela arte do viver e conviver.

Um determinado esquema de abandono, por exemplo, criado na infância e mal adaptado pelas circunstâncias, acaba gerando no futuro problemas de relacionamentos. Quando a pessoa tem esse esquema ativado do hipocampo para o consciente irá reagir de alguma forma disfuncional, é o ditado: "tocar na ferida". Vai gerar dor, um desconforto e também um dos três comportamentos (já citados acima). Quando ela resolve agir, até sem perceber por um comportamento de hipercompensação, por exemplo, quando estiver prestes a ser abandonada por um amigo ou no término de relacionamento, sua reação devido a hipercompensação poderá ser de forma agressiva, explosiva, não vai aceitar o "abandono": "Eu não vou acabar como o abandonado da história de novo não!". Se vê muitos casos em que em separações um indivíduo acaba tirando a vida do ex-parceiro(a), é um caso de um comportamento mal adaptado do qual o indivíduo não soube lidar. No processo terapêutico são feitos caminhos, processos e construções de ideias para lidar com esses esquemas e quando eles são ativados. Na vida, geralmente isso vem quando alguém 'nos obriga' a ter consciência do quão idiota podemos estar sendo com algum comportamento, não nos damos conta de ser ou não um esquema, mas fato é que, a vida assume o posto de terapeuta. Sempre que lemos algo que nos toca, nos marca (seja bom ou seja algo que preferíamos não ler/ouvir), é um processo cognitivo de terapia, ora, você se depara com algo que de certa forma está lhe trazendo uma verdade, que está mexendo em alguma parte de você, está te mostrando o que deve ser feito, o melhor jeito de agir... a partir de então passa a refletir, a pensar... isso gera a modificação de esquemas, quase o que é feito em terapia. Não é possível se livrar dos esquemas mal adaptados, mas é possível adotar meios para que a ferida não doa tanto², para não reagir mal a exposição desses esquemas.

Sinceridade dói, não espere encontrar na terapia consolo para o nosso EU narcisista. Assim como na vida é também alguns processos na terapia. A vida é sofrida, doída, traz verdades que não queremos aceitar. Mas há certas verdades que temos que levar em conta, aceitar e refletir, pensar e mudar algo que está errado, afinal, verdade não deveria doer, ser sincero e lidar com a sinceridade é algo primordial, se há dificuldade para aceitar as verdades (sobretudo as doloridas e sobre nós mesmos) é preciso rever, pensar e procurar descobrir a origem do desconforto, pode ser seu meio de defesa do esquema agindo... ;).


Reflita, pense. Tenha a vida como sua eterna amiga terapeuta.

1 WADSWORTH, Barry J. Inteligência e Afetividade da Criança na Teoria de Piaget. Edição 5. Editora Cengage, 1997.


2 Terapia do Esquema: Definição de "Esquema mal Adaptativo". Canal do Youtube: Terapia do Esquema na Prática. link: <https://www.youtube.com/watch?v=Tg6v91-upaU&t=373s>. Acesso em 08, Jun de 2020.



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