Concepções de Amor
- Um universitário de Letras

- 10 de jul. de 2020
- 5 min de leitura
Atualizado: 11 de jul. de 2020
É um sentimento delicado, não é mesmo? Complexo, amplo...
Poderia dizer que amor é aquela emoção, o sentimento de carinho, afeto, atração, o que leva uma pessoa a desejar o bem da outra, é também uma atração baseada no desejo sexual... mas essas poucas definições baseadas em dicionários ainda são insuficientes para dizer o que é amor.
Então, o que é amor?
Difícil definir. O amor é o sentimento mais amplo espalhado na humanidade. Tem manifestações diversas e significados diversos perante cultura, a literatura, os indivíduos e a sociedade. Amor pode ser desde um simples sentimento definido no dicionário como tal, a algo transcendente e sem explicação.
Amor pode ser proteção, onde vemos exageradamente esse exemplo com os nossos pais ou quem nos criou, que a partir do laço da emoção e afeição, essas pessoas se sentem como protetoras, é uma forma que o amor se manifesta, na proteção. Sabe seus irmãos(ãs), seus primos(as) e por aí vai? Bem, sua família e seus amigos próximos..., muitas vezes em suas relações houve ali manifestações de amor, seja o “está tudo bem com você?”, seja o carinho, seja aqueles elogios gostosos de ouvir e que nos faz bem, seja aquela conversa de desabafo com o irmão ou um amigo e logo você recebe um abraço, forte e 'aconchegantemente' apertado e que retoma tudo ao seu lugar. É uma manifestação do sentimento amor, do verbo amar.
Talvez não aconteceu com você, mas imagine um assalto a um casal. A arma apontada para uma das pessoas amadas, e no disparo, heroicamente o companheiro se coloca na frente, a bala o perfura, mas aquela pessoa que ele passou a amar e chamava de "meu amor" foi salva. É o tipo de história que pode sim ter outros derivados, mas esse sacrifício é também o amor. Sabe quando sua mãe queria tanto comprar algo para ela, economizou para isso e você vai lá: “Mãeee! Eu vi uma coisa na loja e queria...” e sua mãe deixa de comprar para ela e compra aquilo que você pediu? Pois bem, é um sacrifício do amor. Mas esse tipo de amor é bom ter cuidado, o sacrifício é sadio até certo ponto, até mesmo o 'amor' em exagero é um mal.
Falando em sacrifício, você deve conhecer Jesus Cristo. Preciso de mais um exemplo para o significado desse amor manifestado no sacrifício? A própria vida pela vida de todos os seus? Talvez esse amor de sacrifício, de doação, de abrir mão do próprio egoísmo em prol do outro, de abrir mão do drama e da atenção para compreender o outro, de saber que o mundo não gira em torno de si e as vezes é preciso se abrir para o outro, esse tipo de amor embora lindo de escrever histórias, é o mais árduo de “praticar”.
Para cada pessoa o amor vai ter um significado, vai ter uma manifestação e vai ter um exemplo totalmente diferente do outro. Cada pessoa sente de um jeito e ninguém pode cobrar do outro a correspondência de algo que é seu, o que você sente, a sua concepção não é a mesma do outro, mas nem por isso preciso discordar odiosamente. Existe diálogo. E diálogo é para mim, também, amor. Quando em um diálogo você escuta, não julga, compreende e se esforça para entender aquele ponto de vista, e ao nascer o respeito, nasce ali também o amor. Quando você escuta e consegue em seguida falar sem agredir, sem ferir, sem machucar, sem julgar e sem professar o ódio, ali está uma manifestação de amor.
Eu não sei definir em uma só concepção o que é o amor. Eu costumo ver amor em coisas diferentes e na maioria das vezes o amor está presente em tudo na minha vida, estar escrevendo esse texto tem o sentimento de amor por trás, e essas diferentes manifestações de amor podem serem manifestadas com intensidades diferentes, mas ainda é amor.
"Intensidades diferentes". Veja, você pode ganhar uma caixa de bombons e um buquê de flores, outrora você pode ter ganhado só os chocolates. O primeiro caso a “intensidade” foi maior, no outro, menor. Mas esse gesto carinhoso de dar presentes que simbolicamente remete ao romance amoroso, não é também amor? E olha que já vi casais brigando entre si porque o presente não foi “impactante” o suficiente. Acho que esqueceram que não está no que você dá, no preço, no volume, no tamanho... a questão está no sentimento, o que você sentiu ao comprar aquilo, a importância, o significado e sobre tudo a intenção real de ver alguém bem com aquilo.
De forma resumida, temos 5 palavras da filosofia grega para definir o amor, mas essas ainda não explicam tudo desse sentimento. Phatos, que na visão kantiana (de Immanuel Kant), é aquela fogosa paixão, o “estar louco de amor”. Eros, retratado em um dos capítulos no livro “O banquete” de Platão e se trata daquele amor sexual, erótico. Eros, na mitologia grega, é um dos deuses do amor e o deus do erotismo e também o famoso “cupido”. Storge, que C. S. Leweis, autor de “As Crônicas de Nárnia” e como cristão, define bem essa palavra como aquele laço familiar. É o amor presente no seio familiar, é aquele sentimento que em nenhum outro circulo social você encontra, senão, na família (mas eu não limitaria ao seio familiar biológico, às vezes simplesmente essa família biológica só serve nessa óptica, por que os sentimentos de fato familiares eles se manifestam até em pessoas que não tem o seu sangue ou material genético. Triste, sim, mas é verdade). E então, os meus favoritos tipos de amor, Ágape e Philia. Ágape é o amor incondicional. Nos versos gregos da bíblia, o mandamento que conhecemos popularmente por “Amar a Deus sobre todas as coisas” é empregado a palavra grega “Ágape” para esse “amar”. É o amor de total entrega, de doação, é aquele amor que você deixa de se importar com coisas bobas para se importar com o que de fato é real e faz diferença. Foi esse amor que motivou São Francisco de Assis a abandonar toda sua riqueza em prol dos pobres, de deixar todos os seus bens a ponto de se reduzir a um mendigo (mas tendo esse amor, era o mais rico entre todos no palácio do mais rico rei daquela época). É esse amor que quando você levava a vida de solteiro, você não a leva mais por que o encontrou, descobre um verdadeiro e novo sentido nesse sentimento. É aquele amor que você troca o bar, as noitadas e diversas outras coisas que antes eram tudo e agora não são nada, por estar sentando no sofá com seu namorado(a) e conversando sobre as experiências da vida de cada um, ou mesmo dando assistência ou simplesmente não fazendo nada, mas estando ali na companhia dele(a) ou ainda por alguma outra coisa que você começa a amar de forma verdadeira, como ler um livro nas sextas a noite tomando um vinho... É talvez esse amor que sua mãe manifestava ao deixar de comprar algo para ela e comprar para você. É o amor que ninguém explica e se é explicável deixou de ser esse tipo de amor. Alguns autores o trata como o “amor de Deus”, porque é incondicional. Philia é o meu preferido, mas que está tão em falta. Philia é amizade. É um amor, é definido como amor, porque a amizade é um tipo de amor. Mas seu uso é mais restrito à amizade, é aquele verdadeiro companheirismo, cumplicidade, afeto, gosto, é aquela amizade que não admite traição, falsidade, ódio, violência. Pense no seu melhor amigo(a) e nas coisas que compartilharam juntos, nas fotos que talvez tenham em seus celulares, as viagens que fizeram juntos, as confissões que um fez ao outro, o perdão que muitas vezes foi necessário... isso é a amizade, e onde se tem a verdadeira amizade, se tem o verdadeiro amor. Amor não é só essas 5 palavras, vai muito mais além.
Amor é amor
Texto dedicado à Giovanna Araújo DalCol, que sugeriu o tema.



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